Há artistas que chegam ao samba pela técnica. Mauricio Christofoletti chegou pela alma. Nascido entre o som das máquinas da tipografia do pai e o afeto firme da mãe professora, encontrou ainda menino o brilho que guiaria sua vida: a energia das ruas, dos ritmistas, do povo que canta para celebrar e para sobreviver. Foi na Escola de Samba Samuca, aos seis anos, que seu coração aprendeu a pulsar no compasso do surdo e a sonhar no timbre do cavaquinho — instrumento que mais tarde se tornaria extensão natural de suas mãos e de sua memória. Sua música nasce de afetos ancestrais, perdas que viraram poesia, encontros que germinaram melodias. Cada composição — das parcerias marcantes ao trabalho solo — carrega a verdade de quem viveu o samba em tantas geografias: nos carnavais de Rio Claro, nas vivências de estrada pelo Brasil, nas rodas que ecoam histórias de fé, de resistência e de amor. Sua voz, que antes ele nem imaginava revelar, hoje se afirma como caminho legítimo de expressão, encontrando público, criando laços, colhendo aplausos e devolvendo ao mundo aquilo que sempre o moveu: emoção. Mauricio é artista de presença. Puxador oficial do tradicional Bolo da Estação, parceiro de grandes músicos, criador incansável. Seus discos, videoclipes e participações em festivais traduzem uma trajetória de entrega e reinvenção contínua. Navega entre o popular e o íntimo, entre o batuque que embala multidões e o verso que acende lembranças silenciosas. Seu canto é convite — para sentir, lembrar, dançar, atravessar. Para viver.